| Quebrado o recorde capixaba de Distância Livre |
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Em primeiro lugar: Claro que bater o recorde da rampa e colocar mais um na coleção é bem legal, mas o que mais me agradou foi que consegui voar bem relaxado e e entendendo cada recado que as nuvens, vento,instrumentos e etc... me davam. Daí foi fácil voar por tantas horas e ainda fotografar e registrar uma parte do voo. Mas, muito melhor que números e estatísticas, foi a companhia de bons amigos, as risadas e que ninguém se machucou. O recorde anterior: Ele data de 30 de agosto de 2000. No dia voavam nada menos que Marcelo Pietro(Cecéu), Frank Brown, Ceará e Martin Brum(ex-recordista e na época atual no. 1 da FAI). No finalzinho, o recorde ficou com o gringo voando 127km decolando da linda rampa de Pancas, e com pouco mais de 5 horas de voo. O voo: Na rampa o céu anunciava que seria um excelente dia de voo e o vento na faixa dos 20-25 km/h e rajadas de um bocado mais. A saída da rampa foi muito legal e rápida e com pouco mais de 300m acima dela já estava pra trás e me segurando na ponta dos dedos para não pousar e foi assim até o km 12. Daí pra frente foi bem mais fácil e sem nenhuma novidade, isto é, era olhar a rota, apontar o parapente e ``pimba``. Só lá pelo km 100 que tive que decidir: ataco o platô da rampa de Baixo Guandu ou forço na esquerda para itarana e/ou Afon. Claudio ? Pela leitura que fiz das nuvens, sol e relevo, a melhor era mesmo a do platô, só que bem mais tensa para pouso em caso de erro de avaliação. Era tudo ou nada: Daí não teve jeito, ataquei ele e me dei bem. Consegui colocar mais de 2100m exatamente em cima dele, entubei e foi muito bonito ver o sol rachando em cima dos pedrocos e eu passando por cima. No final do platô, já a 1300m, vi que o sol batia com força ainda, mas muitos cirrus e stratus já se aproximavam do caminho do sol, daí tomei outra decisão, esperar um pouco, pois estava com uns 115km e para o recorde faltava pouco, mas qualquer erro seria prego na certa. Quando começou a forma de novo, fiz uma pequena curva na rota e ai foi só alegria novamente. Urubus, filmagens e recorde batido voando num pequeno cloud street, a 1600m a meta agora era esticar ao máximo os 127km que acabara de fazer. Botei mais uns 2100 e poucos e logo depois o sol desceu para oeste e ai os cirrus bloquearam tudo. Pow, nada mais de nuvens, urubus indo pra pouso e eu num planeio final. Ainda achei alguns `piriris `e fui esticando até onde tinha pouso seguro. Passei no meio de umas montanhas e o relevo só subindo, só subindo, era a serra da chibata ou chibaba(como diz meu amigo Mariani). Dava pra chegar nos 150km, mas daí a caminhada seria enorme, pois não tinha nada, mas nada mesmo por perto. Optei por um pouso mais conservador e fui feliz na escolha. Chegada ao chão com toda segurança e felicidade por estar vivo, ter voado bem solto e registrado parte desse voo. Agradeci a Deus e comecei a corrida para a dobragem e resgate. Obs: é apenas meu quarto voo no parapente novo e todo piloto sempre puxa o saco para o equipamento que ele ta voando, vendendo e etc... mas sério mesmo, estou de boca aberta com o rendimento do meu conjunto e em especial do parapente. Confere ai: Swing Astral 6 + Kortel Kamasutra 2 e Flymaster B1/NAV.
Dava para ir mais longe: Com certeza digo que sim. Só não escrevo aqui o que eu iria fazer ``a mais`` e do fim da condição, caso eu voasse no outro dia. Só conto para os alunos do meu curso de XC e para os amigos mais chegados ! O resgate: Esse foi outra aventura a parte. Logo após o pouso vieram 3 motociclistas ver o que tinha caído ali perto. Um deles chegou a falar: - ``Pensei que tinham lançado um boneco de um avião, mas caramba, olha o tamanho do boneco !!!``. não aguentei e ri demais com os outros que estavam lá. Ops, voltando ao resgate. Peguei uma carona com uma das motos e cheguei em Alto capim. De lá, não tinha mais ônibus e o taxista queria me cobrar 140,00 reais até aimorés ! desisti do taxi e esperei meia hora e peguei outra carona até rosca seca num caminhão de óleo diesel. Foi a parte mais perigosa do dia, porque o motorista corria muito e só nessa parte do resgate, vi que esse fim de voo eu estava subindo a serra da chibata. SINISTROOOOO descer a serra de caminhão. Cheguei em Rosca Seca, outra carona até Aimorés num micro ônibus da prefeitura. Em Aimorés um ônibus de linha até Baixo Guandu e por lá mesmo fiquei. Tomei um bom banho no hotel bom destino e de roupa limpa fui fazer uma refeição e logo depois dormir. No outro dia cedo, peguei um ônibus direto pra vitoria e rapidinho cheguei em casa. Só queria ter voltado para Valério no mesmo dia, para comemorar com os amigos e saber de seus vôos, mas daí pelo celular conversei com Paulo Woops e estava todo mundo bem e sem sustos. Por mais legal que seja quebrar recordes, receber o carinho e parabéns dos amigos, melhor ainda é voltar pra casa vivo e inteiro. Portanto caros leitores, seja num liftão ou num cross country de horas, voa melhor quem sem diverte mais. Passar aperto em voo não tem graça nenhuma. E como diz meu grande amigo Dr. Spock: PROSPERIDADE E VIDA LONGA !!!
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